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Parece que a situação do presidente Jair Bolsonaro se complicou de vez. Ontem o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Melo retirou o sigilo do depoimento do ex-ministro Sergio Moro à Polícia Federal, no último sábado, conforme pedido da própria defesa do ex-juiz da operação Lava Jato.
As informações que Moro deu à Polícia Federal comprovam a tentativa de interferência do ex-capitão do Exército na Superintendência da PF no Rio de Janeiro. Segundo o antigo homem forte do Governo Federal, Bolsonaro exercia forte pressão para que Carlos Henrique Oliveira fosse retirado da chefia do órgão no estado e recebeu uma mensagem pelo aplicativo Whatsapp onde o presidente dizia expressamente que “queria” a Superintendência do Rio, sem explicar os motivos.
O ex-ministro disse também que o chefe do Executivo chegou a enviar mensagem no começo de março de 2020, quando Moro estava em Washington em missão oficial com o ex-diretor geral da PF Maurício Valeixo, com o seguinte conteúdo: “Moro, você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”.
Corroborando as acusações do ex-juiz, Bolsonaro confirmou a saída de Carlos Henrique do cargo no Rio de Janeiro para ser o número 2 da Polícia Federal em Brasília graças a uma solicitação relâmpago do novo diretor geral Rolando Souza, indicado pelo presidente da República.
O clima de tensão provocado por essa espécie de confissão e o agravamento de sua situação política levaram novamente a uma atitude autoritária e desrespeitosa do ex-capitão do Exército. Quando esbravejava com a imprensa a respeito das agressões cometidas por seus apoiadores em ato no último domingo e sobre as trocas na PF, Bolsonaro mandou, aos berros, os jornalistas calarem a boca repetidas vezes.
Entre suas declarações, Moro relatou que em uma reunião do conselho de ministros do Governo Federal, que contou com a presença, entre outros, dos generais Augusto Heleno, Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos, o presidente ameaçou demiti-lo do cargo caso não concordasse com a substituição do Superintendente da PF no Rio. A tal reunião está gravada em vídeo e os investigadores já pediram acesso ao material, bem como convocaram os militares presentes no encontro para prestar depoimento.
O ex-juiz entregou seu celular aos policiais para cópia das mensagens trocadas com Bolsonaro. Resta saber se os oficiais que ocupam os Ministérios vão confirmar as declarações de Moro, provocando mal-estar com o presidente, ou vão negar os fatos sob o risco de serem desmentidos pelas gravações da reunião. Fato é que chefe do Poder Executivo está em uma enorme enrascada. Cabe agora às autoridades tomarem as devidas iniciativas para que o Brasil se veja livre deste que já é o pior presidente da história e a maior ameaça à democracia neste país.
Ouça o comentário de Anderson Gomes: